Arquivo da tag: Instituto Arapoty

dalva e dito inclusive

 0

O projeto do restaurante Dalva e Dito- dos chefs Alex Atala e Alain Poletto, partiu da proposta de resgatar a comida colonial brasileira.

110

Pelo nosso entendimento deste briefing, partimos para a criação de um espaço físico qualificado para abrigar e ampliar este resgate. Concebemos o projeto como um grande palco mesmo, que ofereça recursos e possibilidades estéticas, funcionais e emocionais, para que o colonial brasileiro ganhe expressão no espaço e no tempo atual.

2

A nossa pesquisa começou com uma viagem de estudo a Ouro Preto (MG), diretamente na fonte do patrimônio arquitetônico brasileiro preservado.

31

Olhamos para as casas, para as igrejas, paras as janelas e portas. Para a cor do chão e do céu. Para as medidas e para as proporções. Para o cheiro que se espalha na hora das refeições. Para o andar dos que apenas passam. Todo o entorno nos interessou, além das belas artes, treliças, azulejos e pisos hidráulicos. Olhamos para além de Minas Gerais.

4

Revivemos a imagem do Brasil Colonial. Voltamos com a memória brasileira fresca, na cabeça e no coração.

O conceito do projeto é a inclusão dessa memória, pois acreditamos que não há resgate sem inclusão- da cultura, do objeto e do homem artista e cidadão.

5

O Dalva e Dito foi construído assim. As proporções são generosas. As paredes são de Super Adobe, uma evolução da taipa de pilão; nas cores do barro com tingimentos naturais, construídas por jovens de risco social capacitados pelo Instituto Arapoty (organização voltada para a difusão dos valores sagrados indígenas). As mesas são de restos de piso de madeira de demolição. Grandes tapetes de piso hidráulico recobrem o piso. A escolha dos objetos e obras de arte privilegia a nossa arte popular, mescla valores e faz uma ponte com a sofisticação dos acabamentos dos ambientes. 

6

 As treliças fecham o teto e área externa do terraço: como nos tempos da colônia, abrigando a iluminação interna, servem de grandes lamparinas para quem está dentro ou de passagem pela rua. Sinalizam o lugar de encontro e reencontro das nossas Dalvas e Ditos, do Brasil Colonial com sabores de hoje.

piso: ladrilhos hidráulicos Brasil Imperial

 paredes: Super Adobe Instituto Arapoty http://institutoarapoty.blogspot.com/

 painel de azulejos:  Athos Bulcão www.fundathos.org.br

muxarabis: Marcenaria  Artífice

marcenaria mesas: Uirapuru Ecowood

 antiguidades: Casarão Artes e Antiguidades

 rosário: Joelson Gomes joelsonbiu@gmail.com

adega: Maison des Caves

 sofá: Rosenbaum Design, tecido Mercedes Tissume www.tissume-mercedes.blogspot.com

 mesas espera: Rosenbaum Design

 paredes em madeira: Masisa www.masisa.com

grafite: Derlon Almeida www.derlonalmeida.blogspot.com 

coleção de objetos: acervo Rosenbaum Design 

projeto de iluminação: Cia da Iluminação, Carlos Bertolucci 

construtora: Honda Engenharia

 fotos: Douglas Garcia e Cássio Vasconcellos  

 

 

Anúncios

micasa, su casa nova

Apresentação do projeto pela  arquiteta Deborah Padula Kishimoto:

“O conceito para a nova loja da Micasa foi elaborada por Marcelo Rosenbaum como uma casa sustentável, sendo do próprio terreno a fonte de energia e criação da belíssima arquitetura desejada pelo cliente, Houssein Jarouche.
A arquitetura inicia-se no convite ao pedestre a subir os degraus de acesso às ocas, assim contemplar a construção com super adobe, de baixo para cima. Desfrutar da sustentação estrutural do edifício pela forma abobadada, que permite uma resistência auto portante, não necessitando de maiores técnicas estruturais se não a própria forma elíptica.
A técnica de super adobe adotada nesta construção foi para amenizar o impacto da construção com o meio ambiente, pois da própria terra, in loco, será utilizada na construção das ocas e entre outras especificações, prevê a inclusão e capacitação de jovens  na construção das ocas através do Instituto Arapoty.  
No interior das ocas, o cliente deseja receber convidados para habitar temporariamente estas casas. Assim foram pensadas para trazer ao morador um aconchego, próprio dessa técnica de construção, pois o barro proporciona conforto térmico e acústico , sem necessidade de gastar energia , o clima rústico em contra ponto aos móveis de alta tecnologia e da melhor produção mundial do design, a escolha do madeiramento de demolição para o mezanino e escadas.
As  áreas molhadas foram pensadas como um sistema de tratamento de esgoto chamado fossa de bananeira, que trata  os resíduos no próprio local e combusta o adubo para a própria residência.
A energia proposta para a loja/residência será de placas solares instaladas na lateral do terreno, pois a incisão solar é direta, por ser face norte, que no Brasil é a posição que recebe irradiação solar durante todo o período diurno nos dois equinócios.
E para uma climatização da região será instalado espelhos d’água nos fundos do terreno para proporcionar um micro clima agradável.
As ocas estão pousadas numa laje alveolar engastada em quatro apoios, sendo escolhida esta técnica construtiva, pois suas fôrmas não são descartadas pós-obra, sendo reutilizada em outro canteiro da construção civil. Não causando danos para o meio ambiente.
O subsolo  abrigará o acervo mobiliário que  deverá ser apoiado num revestimento em pedra ouro preto, criando um ambiente com a cara e a elegância da arquitetura brasileira.
A diversidade estética do projeto remete a exaltação da cultura indígena e o trabalho, amor e dedicação do João-de-Barro. E estes são os primeiros passos para o projeto da nova loja Micasa, apresentado em abril desse ano, com previsão de início das obras para janeiro de 09.”
 Assista ao vídeo:

Veja as imagens: