O projeto do restaurante Dalva e Dito- dos chefs Alex Atala e Alain Poletto, partiu da proposta de resgatar a comida colonial brasileira.
Pelo nosso entendimento deste briefing, partimos para a criação de um espaço físico qualificado para abrigar e ampliar este resgate. Concebemos o projeto como um grande palco mesmo, que ofereça recursos e possibilidades estéticas, funcionais e emocionais, para que o colonial brasileiro ganhe expressão no espaço e no tempo atual.
A nossa pesquisa começou com uma viagem de estudo a Ouro Preto (MG), diretamente na fonte do patrimônio arquitetônico brasileiro preservado.
Olhamos para as casas, para as igrejas, paras as janelas e portas. Para a cor do chão e do céu. Para as medidas e para as proporções. Para o cheiro que se espalha na hora das refeições. Para o andar dos que apenas passam. Todo o entorno nos interessou, além das belas artes, treliças, azulejos e pisos hidráulicos. Olhamos para além de Minas Gerais.
Revivemos a imagem do Brasil Colonial. Voltamos com a memória brasileira fresca, na cabeça e no coração.
O conceito do projeto é a inclusão dessa memória, pois acreditamos que não há resgate sem inclusão- da cultura, do objeto e do homem artista e cidadão.
O Dalva e Dito foi construído assim. As proporções são generosas. As paredes são de Super Adobe, uma evolução da taipa de pilão; nas cores do barro com tingimentos naturais, construídas por jovens de risco social capacitados pelo Instituto Arapoty (organização voltada para a difusão dos valores sagrados indígenas). As mesas são de restos de piso de madeira de demolição. Grandes tapetes de piso hidráulico recobrem o piso. A escolha dos objetos e obras de arte privilegia a nossa arte popular, mescla valores e faz uma ponte com a sofisticação dos acabamentos dos ambientes.
As treliças fecham o teto e área externa do terraço: como nos tempos da colônia, abrigando a iluminação interna, servem de grandes lamparinas para quem está dentro ou de passagem pela rua. Sinalizam o lugar de encontro e reencontro das nossas Dalvas e Ditos, do Brasil Colonial com sabores de hoje.
piso: ladrilhos hidráulicos Brasil Imperial
paredes: Super Adobe Instituto Arapoty http://institutoarapoty.blogspot.com/
painel de azulejos: Athos Bulcão www.fundathos.org.br
muxarabis: Marcenaria Artífice
marcenaria mesas: Uirapuru Ecowood
antiguidades: Casarão Artes e Antiguidades
rosário: Joelson Gomes joelsonbiu@gmail.com
adega: Maison des Caves
sofá: Rosenbaum Design, tecido Mercedes Tissume www.tissume-mercedes.blogspot.com
mesas espera: Rosenbaum Design
paredes em madeira: Masisa www.masisa.com
grafite: Derlon Almeida www.derlonalmeida.blogspot.com
coleção de objetos: acervo Rosenbaum Design
projeto de iluminação: Cia da Iluminação, Carlos Bertolucci
construtora: Honda Engenharia
fotos: Douglas Garcia e Cássio Vasconcellos