Arquivo do mês: janeiro 2009

muxarabis, lustres e pendentes

A jornalista Mara Gama, especializada em design, publicou em seu blog o post Muxarabis, lustres pendentes e super adobe, que contextualiza  os principais elementos do Dalva e Dito. Agradecemos o olhar e recomendamos a leitura (!).

notícias: blog design, mara gama

17/01/2009

Muxarabis, lustres pendentes e super adobe

 
Inaugurado neste início de janeiro, o Dalva e Dito, restaurante de comida brasileira do chef Alex Atala nos Jardins, em São Paulo, foi projetado e decorado por Marcelo Rosenbaum.

O espaço é grande, aberto. Tem referências de várias épocas. O resultado é cenográfico. Apesar de cheio de detalhes e objetos, o interior remete às amplas casas de fazenda, como forros altos. Evoca imagens históricas das construções do Brasil.

O mobiliário é bem escolhido, com cadeiras de palhinha e mesas com assoalho, piso de ladrilhos hidráulicos bem feito. Mas o que mais me chamou a atenção foram os enormes muxarabis, a instalação feita com lustres pendentes e as paredes de terra.

Os muxarabis, treliças de madeira, “fecham” cobertura e laterais de uma área grande em formato de caixa que se acopla ao prédio principal.

Assim como os muxarabis originais, de tradição árabe, que eram usados nos balcões que se projetavam das fachadas lisas das casas. O uso estrutural do muxarabi é muito bem feito no novo espaço.

Herança dos árabes, essas treliças passaram por Portugal e foram incorporados ao modo colonial brasileiro também em balcões, deixando entrar o vento fresco, proporcionando sombras rendilhadas e escondendo o interior das casas. Os balcões foram erradicados no século 19 e a partir dos anos 1950 os muxarabis foram revividos pelos arquitetos modernos em elementos bidimensionais, como janelas e portas.

Os lustres “genéricos” foram montados com hastes – como as pendant lamps da Bauhaus – de tamanhos variados, numa espécie de cortina luminosa. Os formatos são aqueles inspirados em linhas art deco, que se viam costumeiramente nas casas dos centros urbanos a partir dos anos 1940.

As paredes do restaurante foram feitas de super adobe, material/técnica de construção com terra. Na construção com super adobe, sacos cheios de terra são sobrepostos para erguer as paredes. Para as aberturas de portas e janelas, são colocados moldes nos formatos adequados.

No restaurante, há uma parte da parede, numa área próxima da escada que leva ao bar, com uma abertura que exibe o modo de construção com os resíduos dos sacos usados para moldar a terra.

O sistema de super adobe foi inventado nos anos 1980 pelo arquiteto iraniano Nader Khalili para a Nasa. Se você quer ver desenhos ilustrativos, dê uma olhada no site How Stuff Works.

As fotos desta página foram tiradas do blog do Rosenbaum. São de Douglas Garcia e Cassio Vasconcellos.

 

Mara Gama às 02h26

dalva e dito inclusive

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O projeto do restaurante Dalva e Dito- dos chefs Alex Atala e Alain Poletto, partiu da proposta de resgatar a comida colonial brasileira.

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Pelo nosso entendimento deste briefing, partimos para a criação de um espaço físico qualificado para abrigar e ampliar este resgate. Concebemos o projeto como um grande palco mesmo, que ofereça recursos e possibilidades estéticas, funcionais e emocionais, para que o colonial brasileiro ganhe expressão no espaço e no tempo atual.

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A nossa pesquisa começou com uma viagem de estudo a Ouro Preto (MG), diretamente na fonte do patrimônio arquitetônico brasileiro preservado.

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Olhamos para as casas, para as igrejas, paras as janelas e portas. Para a cor do chão e do céu. Para as medidas e para as proporções. Para o cheiro que se espalha na hora das refeições. Para o andar dos que apenas passam. Todo o entorno nos interessou, além das belas artes, treliças, azulejos e pisos hidráulicos. Olhamos para além de Minas Gerais.

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Revivemos a imagem do Brasil Colonial. Voltamos com a memória brasileira fresca, na cabeça e no coração.

O conceito do projeto é a inclusão dessa memória, pois acreditamos que não há resgate sem inclusão- da cultura, do objeto e do homem artista e cidadão.

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O Dalva e Dito foi construído assim. As proporções são generosas. As paredes são de Super Adobe, uma evolução da taipa de pilão; nas cores do barro com tingimentos naturais, construídas por jovens de risco social capacitados pelo Instituto Arapoty (organização voltada para a difusão dos valores sagrados indígenas). As mesas são de restos de piso de madeira de demolição. Grandes tapetes de piso hidráulico recobrem o piso. A escolha dos objetos e obras de arte privilegia a nossa arte popular, mescla valores e faz uma ponte com a sofisticação dos acabamentos dos ambientes. 

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 As treliças fecham o teto e área externa do terraço: como nos tempos da colônia, abrigando a iluminação interna, servem de grandes lamparinas para quem está dentro ou de passagem pela rua. Sinalizam o lugar de encontro e reencontro das nossas Dalvas e Ditos, do Brasil Colonial com sabores de hoje.

piso: ladrilhos hidráulicos Brasil Imperial

 paredes: Super Adobe Instituto Arapoty http://institutoarapoty.blogspot.com/

 painel de azulejos:  Athos Bulcão www.fundathos.org.br

muxarabis: Marcenaria  Artífice

marcenaria mesas: Uirapuru Ecowood

 antiguidades: Casarão Artes e Antiguidades

 rosário: Joelson Gomes joelsonbiu@gmail.com

adega: Maison des Caves

 sofá: Rosenbaum Design, tecido Mercedes Tissume www.tissume-mercedes.blogspot.com

 mesas espera: Rosenbaum Design

 paredes em madeira: Masisa www.masisa.com

grafite: Derlon Almeida www.derlonalmeida.blogspot.com 

coleção de objetos: acervo Rosenbaum Design 

projeto de iluminação: Cia da Iluminação, Carlos Bertolucci 

construtora: Honda Engenharia

 fotos: Douglas Garcia e Cássio Vasconcellos  

 

 

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Marisa Campos,  amiga e chef de mão cheia, logo, logo, abrirá as portas do bistrô NICOTA. O nome é uma homenagem à avó Nicotinha, que, entre outras heranças gostosas, deixou  sua coleção de postais. Um lugar cheio de memórias e inspirador para o talento de Marisa.

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